Reprodução por semente de árvores e arbustos autóctones

  

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A propagação de plantas autóctones em viveiro surge como uma das formas possíveis de contrariar a tendência actual de desaparecimento de grande parte da floresta autóctone, bem como da vida animal e vegetal que lhe está intrinsecamente associada. Não se pode conceber a protecção de muitos animais sem a preservação e recuperação dos nossos bosques e vice-versa. De facto, as relações que se estabelecem entre as plantas e os animais (e.g. mutualismo), para além de serem em parte responsáveis pela evolução conjunta, também asseguram a sobrevivência de ambos; por exemplo, as plantas produzem saborosos e nutritivos frutos que são consumidos por aves e mamíferos enquanto estes ajudam na disseminação e germinação das sementes neles contidos. Curiosamente, grande parte das plantas cujas sementes germinam com dificuldade, devido a um ou vários tipos de dormência, desenvolveram frutos bastante apreciados por aves e mamíferos, conseguindo deste modo uma mais rápida e eficaz germinação das suas sementes graças ao tratamento ácido a que estas são sujeitas ao longo do aparelho digestivo dos animais.

Para a recuperação dos bosques autóctones é fundamental o planeamento prévio das acções que se deve iniciar pela selecção criteriosa do conjunto de espécies a instalar, adaptadas às condições ambientais de cada local (e.g. solo e clima), de forma a reconstituir certos habitats, preferencialmente prioritários em termos de conservação (e.g. bosquetes de Taxus baccata L., louriçais e azereirais), nas suas áreas de distribuição natural. Há ainda que respeitar os instrumentos de gestão territorial (e.g. Planos de Ordenamento de Áreas Protegidas, Planos Sectoriais da Rede Natura 2000, Planos Regionais de Ordenamento Florestal, Planos Directores Municipais, Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional) e evitar alterar outros habitats não florestais com elevada importância para a conservação. A escolha dos métodos de preparação do terreno e instalação (plantação/sementeira) deve atender aos objectivos e às espécies em causa, sendo aconselhável realizar apenas as mobilizações do solo estritamente necessárias para favorecer o crescimento das plantas.

Em relação à reprodução de espécies autóctones por semente, tema central da presente publicação que tem uma forte componente de pesquisa bibliográfica, há aspectos técnicos a ter em consideração para assegurar o sucesso da germinação e o conveniente crescimento das plantas de diferentes espécies. Com o intuito de contribuir para o esclarecimento de dúvidas relacionadas com todo o processo de produção de plantas, reuniu-se aqui um conjunto de informação que permitirá a todos os interessados no assunto (e.g. escolas e cidadãos em geral) encontrar respostas às mais variadas questões, entre outras: Quais as características básicas que deve ter um viveiro florestal? Quando se devem colher os frutos/sementes de cada espécie? Em que épocas do ano se fazem as sementeiras? Quais os procedimentos mais adequados para germinar sementes com dormência? Que cuidados devemos ter após a germinação? Será correcto plantar o carvalho-negral ou o sobreiro em solos calcários?

De modo a abranger o maior número de situações, os diversos assuntos são abordados de uma forma mais ou menos aprofundada. No entanto, se não existir possibilidade ou necessidade de instalar um viveiro propriamente dito poderá optar-se por escolher um local abrigado do vento e da acção directa do sol, colocar aí alguns contentores com terra, colher os frutos, extrair as sementes, fazer a sementeira e regar regularmente. Mesmo sem as condições ideais que permitam uma maior perfeição das operações, o importante é agir em prol da recuperação da floresta autóctone.

Na primeira parte faz-se referência a algumas características do viveiro florestal, sua localização e solo, bem como a alguns utensílios e materiais usados na manutenção do mesmo. De seguida, destacam-se aspectos relacionados com a reprodução por semente, (e.g. colheita dos frutos/sementes, armazenamento e extracção das sementes, métodos de quebra de dormência, métodos de sementeira, época e profundidade de sementeira). Também se dá atenção a alguns trabalhos complementares (rega, monda e repicagem) e ao transplante das árvores e arbustos para o local definitivo.

Na última parte, além dos procedimentos mais correctos (mas não os únicos) para a reprodução seminal de 32 espécies autóctones, pertencentes a 17 géneros e 14 famílias, refere-se a sua distribuição em Portugal, as condições ambientais requeridas por cada uma e as épocas de floração e frutificação.

Para o caso específico das escolas, a reprodução de plantas autóctones poderá ser motivo para o desenvolvimento de actividades interdisciplinares em áreas aparentemente tão distintas como a História e a Matemática, entre outras. Assim, por exemplo: nas aulas de Trabalhos Manuais podem-se construir alguns utensílios (e.g. tabuleiros para a sementeira, plantadores, tábuas de repicar); nas aulas de Matemática podem-se registar e tratar os resultados obtidos na germinação; nas de Ciências da Natureza encontrar explicações para esses resultados; nas de História realizar um inquérito aos avós dos alunos sobre como era o coberto vegetal da sua terra há 40 anos.

Refira-se ainda que se optou por não descrever as características morfológicas das diferentes espécies porque existem várias publicações de elevada qualidade sobre o tema (e.g. Bingre et al., 2007; Galán Cela et al., 1998; López González, 1988) e informação da Flora Ibérica acessível através da ligação http://www.floraiberica.org/.

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