Cuidar de bosques

 Com o êxodo rural das últimas décadas e o consequente abandono dos terrenos, em Portugal tem-se verificado uma importante expansão dos nossos bosques autóctones através da regeneração natural (e.g. carvalhais e azinhais).

 Cuidar dessas florestas é tão ou mais importante que criar novas áreas através da plantação/sementeira, nomeadamente porque:

1. a taxa de sobrevivência das plantas é normalmente superior, uma vez que se encontram a crescer nos melhores locais, fruto de um processo de selecção natural, e o seu sistema radicular já se encontra convenientemente estabelecido;

2. evita-se a mobilização do solo e consequentemente a libertação de CO2 para atmosfera que nele se encontra armazenado, bem como se reduzem os riscos de erosão;

3. reduzem-se as emissões de CO2 inerentes ao processo de recolha de sementes, produção e transporte de plantas, preparação do terreno e retancha (substituição das plantas mortas);

4. obtêm-se florestas com uma distribuição aleatória das plantas, conferindo-lhe um aspecto mais natural e atractivo.

 

A ausência de gestão dessas florestas jovens potencia:

1. a propagação de incêndios e a sua consequente destruição, com libertação de CO2 para a atmosfera, facto que constitui um retrocesso idêntico à idade das árvores no processo de regeneração natural;

2. a obtenção de áreas com densidade demasiado alta e árvores com más características a nível da conformação do tronco e/ou da copa.

 

Para debelar estes aspectos negativos e potenciar a obtenção de bosques autóctones maduros em estado favorável de conservação, preconiza-se por exemplo:

1. o controlo selectivo da vegetação herbácea/arbustiva em locais estratégicos, eliminando apenas algumas das espécies das etapas intermédias da sucessão ecológica;

2. a redução da densidade, quando excessiva, através da eliminação das árvores mortas, doentes ou dominadas;

3. a plantação de árvores/arbustos nas clareiras para aumentar a densidade onde esta está aquém do pretendido;

4. a realização de podas de formação de modo a estimular o crescimento em altura, melhorar as características das árvores e criar uma descontinuidade vertical em termos de combustível que reduza o risco de incêndio.